Nossa diretora criativa, Sarah Chofakian, celebra o Dia Internacional das Mulheres compartilhando um pouco da sua história. Uma mulher livre, criativa, empreendedora, matriarca, com 30 anos (and counting) vestindo uma clientela fiel com a sua marca registrada.

1. Feminine urge: de tantos itens do universo feminino, por que escolheu os sapatos para traduzir a sua visão de mundo?


Começar o dia olhando para si mesma e criar o que vestir e calçar, respeitando o seu mood naquele momento, é uma alegria. Em poucos minutos é possível criar bem-estar e segurança para o dia todo. Acredito ser esse um momento fundamental e íntimo. Uma dinâmica na qual, para mim, os sapatos são o pilar de um look: eles têm o poder de traduzir muito bem as pessoas. Por meio das minhas criações, objetivo facilitar o dia da mulher, trazendo confiança, bem-estar, leveza, conforto e um estilo que confira segurança para enfrentar todos os tipos de situações. Com os sapatos certos, desejo que cada uma tenha a autonomia de fazer do universo o seu laboratório criativo.


2. Feminismo é o movimento que convida a todos a ser um aliado na conquista da igualdade de direitos, oportunidades e respeito entre homens e mulheres. Como isso se aplica na sua vida, como mãe e empresária?


Para mim, o feminismo sempre esteve muito ligado à prática cotidiana. Ao longo da minha trajetória como empresária, naturalmente fui construindo um ecossistema muito feminino ao meu redor. Grande parte da minha equipe é formada por mulheres incríveis, talentosas, sensíveis e extremamente competentes, e é muito bonito ver como existe entre nós um espírito de colaboração e apoio mútuo. Ao mesmo tempo, sempre acreditei que essa construção também passa pelos homens que caminham ao nosso lado. Tenho um sócio que é meu braço-direito e que compartilha profundamente desse respeito e dessa visão. E como mãe, isso também esteve presente na educação do meu filho – sempre quis que ele crescesse entendendo o valor das mulheres, do trabalho delas, da escuta e da parceria. Hoje vejo isso como um círculo muito bonito: aprendo diariamente com tantas mulheres extraordinárias ao meu redor – clientes, amigas, colaboradoras – e sinto que essa troca nos fortalece. E penso muito na minha neta, que representa o futuro. É inspirador imaginar que ela crescerá em um mundo onde cada vez mais mulheres ocupam seus espaços com liberdade, criatividade e autonomia.


3. Sobre maternidade e carreira. Como foi para você conciliar e conduzir os dois universos?


A maternidade foi, na verdade, um ponto de virada muito importante na minha vida profissional. Quando meu filho nasceu, eu ainda atuava como psicóloga. Era uma profissão que sempre me interessou muito, mas com a chegada dele surgiu também um senso muito grande de responsabilidade e de urgência – aquela vontade de construir algo que pudesse sustentar a nossa vida com mais autonomia. A maternidade acaba despertando uma força muito profunda. Comecei a pensar com mais clareza sobre aquilo que sempre existiu dentro de mim: o desejo de empreender, de criar algo próprio, de trabalhar com criatividade e com mulheres, somado aos sapatos, que sempre representaram para mim a peça principal de um look. Quando meu filho tinha cerca de cinco anos, tomei a decisão de deixar a psicologia e abrir minha primeira loja multimarca. Foi um momento de muita coragem, pois significava começar praticamente uma nova vida profissional. Mas também foi muito natural, porque eu sentia que estava finalmente dando forma a algo que sempre esteve dentro de mim. Conciliar tudo isso não foi simples, claro. Empreender exige muita energia e dedicação, e ao mesmo tempo existe a responsabilidade e a alegria enorme de acompanhar o crescimento de um filho. Mas, olhando para trás, vejo que uma coisa alimentou a outra. A maternidade me deu a força e o propósito para construir algo com ainda mais convicção. E existe uma beleza especial nessa história: aquele filho que cresceu acompanhando de perto essa trajetória hoje atua diretamente na empresa ao meu lado, dando continuidade e abrindo novos caminhos a tudo aquilo que começou lá atrás.


4. Se puder citar três artistas mulheres que te inspiram…


Nina Simone
Billie Holiday
Malala Yousafzai, que tive o prazer de conhecer em 2022, no evento BOF Voices

5. Para você, qual a maior maravilha de ser mulher?


Nosso senso único e instintivo de amor, de compreensão, de trazer suavidade e doçura a um mundo tão cruel e, ao mesmo tempo, sermos firmes e precisas quando necessário. Sabemos muito bem equilibrar e exercer essas qualidades ao mesmo tempo, e não podemos jamais deixar nenhuma delas de lado. Lembro que a nossa coragem está além do que podemos imaginar. Acredito que a nossa maior conquista é quando nos damos conta, e temos a certeza de que somos donas das nossas escolhas. A partir desse momento, conseguimos mostrar ao mundo onde estão os nossos limites e encontramos a tranquilidade de saber que ninguém pode nos obrigar a fazer o que não queremos. Neste lugar de consciência e liberdade, respiramos mais fundo, e a sensação de bem-estar e alegria – e os insights – aparecem com mais frequência, trazendo segurança para a nossa produtividade pessoal e profissional. É daí que nasce a força e a coragem que nos permitem transformar as tensões do dia a dia em maturidade e leveza, e ter jogo de cintura diante das situações mais difíceis.